Viaje Mais 297

18 | viajeMais | Malta O primeira sinal que você chegou a um lugar com personalidade está logo na saída do aeroporto: o trânsito anda pela esquerda, uma herança do período britânico que durou de 1800 a 1964 e moldou muita coisa em Malta, do idioma ao hábito do chá da tarde. Sem demora você chega ao hotel porque não existem longas distâncias nessa ilha de 27 km de comprimento. Em uma hora de carro você atravessa a ilha inteira por estradas que conectam cidades praticamente “emendadas” umas às outras. Os 316 km² de área e pouco mais de 500 mil habitantes fazem de Malta o mais densamente povoado da Europa. Mesmo assim, a maior cidade, Birkirkara, é uma “metrópole” de 24 mil moradores. Só que o tamanho pode enganar. Poucos países no mundo concentram tanta história por metro quadrado. Malta esteve em mãos de fenícios, cartagineses e romanos antes de ser governada por séculos pelos Cavaleiros da Ordem de São João, o rico grupo religioso-militar que espalhou pelo arquipélago – e hoje está na bandeira nacional – seu símbolo mais famoso, a Cruz de Malta. Depois vieram novos capítulos turbulentos: domínio britânico (com independência em 1964) e o trauma dos bombardeios na Segunda Guerra Mundial. Mas a viagem no tempo vai ainda mais fundo com os Templos Megalíticos — como Hagar Qim, Mnajdra, Tarxien e Ggantija — erguidos em rochas de calcário por homens pré-históricos a partir de 4 mil anos a.C. São umas das mais antigas construções que existem do mundo. A vida moderna, porém, trouxe outros desafios para o pequeno arquipélago. Malta depende muito do exterior: cerca de 80% dos alimentos consumidos são importados, incluindo a água que

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