18 | VIAJEMAIS O Ministério do Turismo Uruguai quer ampliar a imagem do país além de destino de sol e praia. A meta, segundo o ministro Pablo Menoni, é oferecer experiências ligadas à gastronomia, ao turismo rural, ao interior do país e a rotas culturais. O Brasil aparece no centro dessa estratégia: hoje, cerca de 450 mil brasileiros visitam o Uruguai por ano, número que o governo pretende ao menos dobrar nos próximos quatro anos. Quais são hoje as prioridades do Ministério do Turismo do Uruguai para os próximos anos? Buscamos complementar a oferta turística tradicional do Uruguai, de sol e praia, que continua sendo a principal, mas a ideia é atrair mais visitantes também para o turismo gastronômico, o turismo rural e em tudo o que envolve o patrimônio natural do país. A gastronomia uruguaia é uma das grandes apostas? Claro. Temos carne, vinho, queijo e toda uma tradição gastronômica própria. Temos uma grande oportunidade de posicionar a gastronomia uruguaia em nível internacional. Um exemplo que observamos com atenção é o Peru, que conseguiu projetar sua cozinha para o mundo. Outro espelho importante para nós é Portugal, um país com dimensões parecidas com as do Uruguai e que conseguiu ampliar muito o peso do turismo na economia. E qual é a meta em relação ao mercado brasileiro? Hoje, olhando principalmente de São Paulo para o Sul, estamos falando de um universo de 50 a 70 milhões de brasileiros. E, no entanto, recebemos apenas cerca de 450 mil brasileiros por ano. É muito pouco. Nossa ideia é ampliar esse volume e, pelo menos, duplicá-lo ao longo dos próximos quatro anos. Como pretendem alcançar esse objetivo? Primeiro, melhorando a promoção para despertar o interesse desses brasileiros. Para isso, estamos trabalhando com segmentação e microsegmentação da oferta, usando ferramentas de inteligência artificial e os motores das redes sociais. A ideia é promover o Uruguai de acordo com o interesse de cada pessoa: turismo de aventura, gastronomia, turismo cultural e assim por diante. Neste primeiro momento, estamos segmentando por interesse, não por faixa etária. Depois de despertar esse interesse, o que vem a seguir? Facilitar a vida do turista. Hoje temos em torno de 50 voos Uruguai quer dobrar número de turistas brasileiros As estratégias do Ministro do Turismo do Uruguai para atrair mais brasileiros, ampliar a promoção dos destinos do interior do país e melhorar a conectividade aérea com o Brasil semanais entre Brasil e Uruguai, mas é possível ampliar. É claro que essa é uma decisão do setor privado, mas nós podemos incentivar. Se queremos duplicar a quantidade de brasileiros que vêm ao Uruguai, precisamos aumentar também a conectividade. Como desenvolver o turismo para o interior em um destino tão associado ao litoral? Tradicionalmente, a promoção do Uruguai se concentra nos 600 km de costa, mas existe bons destinos para o turismo rural e natural, como por exemplo, as minas de pedras semipreciosas de Artigas; o Vale do Lunarejo, com cachoeiras espetaculares; e a Rota das Termas. Até dois anos atrás, não tínhamos conectividade aérea com nenhum ponto do interior. Agora temos voo direto para Salto e também voo direto para Rivera. Isso já representa um avanço importante. O turismo de compras e o enoturismo também entram nessa estratégia? O turismo de compras é importante, e as bodegas também têm um papel central. Hoje temos uma dificuldade que estamos tentando resolver: os vinhos comprados nas bodegas não podem ser levados como bagagem de mão no avião. Estamos em diálogo com a polícia aeroportuária e com outros órgãos, porque isso envolve segurança. Queremos encontrar uma solução, como já existe em destinos como Santiago e Mendoza. O senhor é o primeiro ministro cadeirante da história do Uruguai. Como isso influencia sua visão sobre o turismo? Para mim é algo natural. Mas a visibilidade da minha cadeira é importante. Quando participo de atos protocolares, por exemplo, tem de haver acessibilidade. Isso já provoca uma mudança de olhar na sociedade. No turismo, a acessibilidade é um desafio estrutural. Melhorar é possível e necessário, mas nem sempre é simples. Às vezes falta recurso, às vezes falta espaço físico. Em lugares históricos, como Colônia do Sacramento, por exemplo, circular em cadeira de rodas é muito difícil. |ENTREVISTA| Pablo Menoni, Ministro do Turismo do Uruguai Buscamos complementar a oferta turística tradicional do Uruguai, de sol e praia, que continua sendo a principal, mas a ideia é atrair mais visitantes para o turismo gastronômico, o turismo rural e para tudo que envolve o patrimônio natural do país.”
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