Viaje Mais Edição 303

68 | VIAJEMAIS QUER IR TAMBÉM? A Expedição Haliti-Paresí, da Vivalá, tem duração de quatro noites: uma em hotel em Cuiabá no dia de chegada e três noites na aldeia, com hospedagem em barraca individual montada dentro de uma hati. O pacote custa R$ 3.781 por pessoa, com transporte de ida e volta a partir de Cuiabá, hospedagens, refeições previstas no roteiro, vivências e acompanhamento de guia. Há saídas programadas de 3 a 7 de setembro; de 8 a 12 de outubro; e de 29 de dezembro a 2 de janeiro de 2027. Informações e reservas: www.vivala.com.br e WhatsApp (11) 5194-3305. | BRASIL indígena na aldeia Serra Verde onde crianças e adolescentes aprendem português e outras matérias convencionais. Como os jovens lidam com o celular? Eles gostam mas não trocam por um banho de rio e brincadeiras no pátio da aldeia. Cada um pergunta o que vem à mente. Na segunda noite, uma fogueira é acesa sob o céu explodindo de estrelas. Longe das cidades, a Via Láctea recupera o protagonismo. A lenha estala, o fogo ilumina os rostos enquanto Salomão conta histórias de lendas indígenas antigas. Eu poderia descrever essa cena como uma viagem ao passado, mas seria um erro. Nada ali pertence a um tempo encerrado. As histórias dos Haliti Paresí continuam sendo contadas, a língua Aruak ainda é falada e as hatis seguem abrigando as famílias. É claro que a aldeia tem modernidades: luz elétrica, caminhonetes e celular nas mãos dos moradores. O turismo entra nesse novo capítulo da história dos Haliti Paresís. É uma ferramenta para gerar renda, fortalecer o orgulho dos mais jovens e criar razões econômicas adicionais para conservar a cultura dos antepassados. Pedro Kezowe resume o desejo da comunidade ao dizer que espera receber muitos visitantes para conhecer a aldeia. Conhecer, nesse caso, não é apenas olhar, assistir uma apresentação de dança e comprar artesanato, tal como acontece em outras aldeias aculturadas Brasil afora. Na Katyalarekwa, isso implica em dormir sob o teto que os anfitriões construíram, provar a comida, escutar o idioma, errar a pontaria nos jogos e, principalmente, ouvir o que os indígenas tem para dizer. Quando a van encosta para refazer o caminho de volta para Cuiabá, a despedida carrega uma certa dose de emoção entre os viajantes, que voltam com fotografias, tatuagem de jenipapo na pele e uma ou duas palavras em Aruak guardadas na memória. No fim, a Expedição Haliti-Paresí, da operadora Vivalá, é uma oportunidade de conviver, por alguns dias, com pessoas que decidiram apresentar sua cultura em seus próprios termos. E, quando o fogo se apaga, o rio fica para trás e o celular recupera o sinal, percebe-se que o turismo de base comunitária produz uma troca. Quem recebe fortalece sua autonomia, quem visita volta para casa sabendo mais sobre o brasileiro. À noite tem roda de fogueira com contação de histórias e lendas indígenas O cacique da aldeia é o Simão Nezokemazokae

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