VIAJEMAIS | 13 É um privilégio que parece mágica. Durante sete manhãs, bastou abrir a cortina da cabine para descobrir uma cidade diferente do Mediterrâneo diante dos meus olhos. Sem desfazer malas, enfrentar aeroportos ou trocar de hotel. De um dia para outro, surgiram o casario antigo de Marselha junto ao porto, os telhados dourados da Toscana ao longe, as paisagens ensolaradas de Cagliari, todos os encantos da ilha de Palermo ou ainda a muralha monumental de Malta, ali a poucos metros enquanto o navio navegava rumo ao porto. Entre a cortina que se fecha antes do sono em um destino e a que se abre em uma cidade ainda mais impressionante, existe o prazer de viver um navio como o MSC Splendida. Restaurantes, bares, massagens no spa, piscinas, jacuzzis e longos momentos apenas observando o mar. Pude respirar o ar salgado, ouvir o som contínuo das ondas e assistir a pores do sol cinematográficos que fazem valer cada minuto. Nesse que fiz, em sete incríveis dias, fiquei com a certeza de que o Mediterrâneo condensa diante dos olhos toda a memória de antigas civilizações — e também a sabedoria de quem aprendeu a aproveitar o melhor da vida. Talvez porque exista a consciência de que tudo é passageiro. De que aquele momento jamais se repetirá. É justamente a exclusividade do instante, a certeza de sua natureza efêmera, que intensifica a emoção e grava a experiência na memória. Ao acordar, abrir as cortinas e contemplar o mar, começa um novo episódio em que você — e quem está ao seu lado — deixa de ser espectador para se tornar protagonista de um dia que será lembrado por muitos anos. Do cruzeiro que viveu intensamente pelo Mediterrâneo. Um privilégio, certamente.
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