VIAJEMAIS | 45 Vale a pena subir a escadaria para contemplar o oceano por onde passaram as naus e caravelas das Grandes Navegações Na África do Sul, a natureza está sempre por perto. Famílias de babuínos circulam livremente às margens das estradas Chegar ao Cabo da Boa Esperança me deu até uma alegria juvenil. Primeiro pela minha paixão por navios, pelas aventuras do tempo das Grandes Navegações e por ver ali, de perto, aquilo que tantas vezes havia estudado nos livros de história. Não deixa de ser interessante imaginar que a África do Sul poderia hoje falar português e ter sido uma colônia portuguesa. Isso se, em 1488, o navegador Bartolomeu Dias, primeiro europeu a dobrar o promontório, tivesse estabelecido uma colônia por lá. Mas não. Limitou-se a erguer alguns marcos e seguiu viagem em busca da Índia. A colonização da região só começaria em 1652, quando o mercador holandês Jan van Riebeeck estabeleceu ali um posto de reabastecimento para navios, que cresceu e deu origem à atual Cidade do Cabo. Até a dominação inglesa, a descoberta de ouro e diamantes, a implantação do regime do Apartheid e a posterior democratização do país, muita coisa aconteceu por ali, moldando a história da África do Sul. Há uma escadaria um tanto improvisada para subir o morro e fazer uma foto do alto do Cabo da Boa Esperança. Quem sabe algum navio aparecesse ao longe. Fui meio escorregando, mas fui. Valeu a pena a vista, mas não: nenhuma nau ou caravela surgiu no horizonte. Apenas na minha imaginação. Outra curiosidade é que o Cabo da Boa Esperança está inserido no Parque Nacional da Table Mountain e é cercado por uma vegetação única, formada pelo fynbos, um dos ecossistemas mais ricos e raros do planeta. Entre arbustos baixos, flores coloridas e espécies encontradas apenas nesta região da África do Sul, a paisagem ajuda a explicar por que o local é tão importante não apenas para a história, mas também para a biodiversidade mundial. O Cabo da Boa Esperança é uma parada obrigatória para quem visita a África do Sul EU DOBREI O CABO DA BOA ESPERANÇA Fui ao cabo onde Bartolomeu Dias, em 1488, abriu a rota marítima para a Índia
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