VIAJEMAIS | 31 Gostei não propriamente do Palazzo Reale, antigo palácio dos reis normandos, mas de seus jardins. Durante o domínio espanhol, a Sicília tornou-se uma importante porta de entrada para plantas trazidas das Américas. O clima mediterrâneo mostrou-se ideal para a aclimatação de diversas espécies do Novo Mundo antes de sua difusão por outras regiões da Europa. Por isso há tantos cactos e outras suculentas nos jardins. Para quem gosta de paisagismo, é curioso perceber como essas plantas, originalmente americanas, tornaram-se tão integradas à paisagem siciliana que poucos imaginam sua origem do outro lado do Atlântico. Chegar à Catedral de Palermo teve um encanto adicional. Uma cantora lírica inundava a praça com a emocionante Ave Maria, de Schubert, criando o clima perfeito para entrar na igreja e observar elementos normandos, árabes, góticos, barrocos e neoclássicos convivendo numa combinação improvável. Ao longo dos séculos, cada povo que passou pela cidade deixou ali sua marca, transformando a catedral numa espécie de resumo arquitetônico da história da Sicília. A caminhada terminou na Piazza Pretoria, onde está a Fontana Pretoria. O monumento foi criado originalmente em Florença e, posteriormente, desmontado em 644 peças para ser transportado até Palermo, onde começou a ser instalado em 1574. Os moradores ficaram escandalizados com a quantidade de figuras nuas de ninfas, deuses e personagens mitológicos expostas em plena praça. O resultado foi imediato: o local ganhou o apelido de Piazza della Vergogna, a Praça da Vergonha. Séculos depois, a fonte continua sendo um dos símbolos mais fotografados da Sicília — prova de que alguns escândalos envelhecem muito bem. Irresistível. No final da tarde, quando retornei ao MSC Splendida, aí sim começaram as comemorações do aniversário da Fernanda. No restaurante, novos parabéns e um bolo especialmente preparado com o nome dela, trazido pelos garçons enquanto cantavam. Depois ainda teve cassino — ganhei 20 euros e um colega ganhou 60 — e balada. Acredite: comemorar aniversário em um navio é muito legal. Quando fechei as cortinas naquela noite, sabia que a próxima cidade seria um espetáculo: Valletta, em Malta. Celebrar a bordo é algo muito especial. Muitas felicidades, Fernanda Durante o Festino di Santa Rosalia, a Catedral de Palermo ganha ainda mais vida. Na minha visita, uma cantora lírica dava o tom da praça com a emocionante Ave Maria, de Schubert
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