32 | VIAJEMAIS Abrir as cortinas da cabine e dar de cara, a poucos metros, com aquelas muralhas que pareciam surgir diretamente do mar fez com que Malta entrasse imediatamente para a minha galeria das mais belas chegadas por navio. O Rio de Janeiro, pela natureza exuberante, continua em primeiro lugar, disparado. A beleza de Malta, porém, tem outra origem: a história. Demorei um pouco para entender isso, então preste atenção. A capital, Valletta, é minúscula. Tem apenas cerca de 0,8 km² e menos de 10 mil habitantes permanentes. Você entra e sai dela para as cidades vizinhas sem praticamente perceber, porque não existe uma separação clara. Valletta foi concebida desde o início como uma cidade militar planejada. Ao contrário de muitas cidades europeias que cresceram lentamente ao longo dos séculos, ela nasceu praticamente inteira sobre a prancheta dos engenheiros militares da época. Ruas retas, muralhas monumentais, bastiões, fortes, palácios, igrejas e arsenais foram organizados para transformá-la em uma das fortalezas mais sofisticadas do século XVI. Por isso, ao caminhar por Valletta, a sensação é diferente daquela encontrada em Roma, Paris ou Florença. A cidade inteira parece um enorme | MSC SPLENDIDA MALTA , UM EXAGERO DE ARTE E CULTURA Entre muralhas monumentais e portos históricos, Valletta revela a herança dos lendários Cavaleiros de São João Chegar a Malta a bordo do MSC Splendida é desembarcar em uma das fortalezas mais impressionantes do Mediterrâneo monumento histórico habitado. Quase cada edifício, escadaria ou praça está ligado à presença dos Cavaleiros de São João, também conhecidos como Cavaleiros Hospitalários, uma ordem religiosa e militar criada em Jerusalém durante as Cruzadas, por volta do século XI. Inicialmente dedicados ao atendimento de peregrinos e doentes, acabaram se transformando em uma poderosa força militar cristã. Após perderem seus territórios no Oriente Médio, estabeleceram-se em Rodes e, posteriormente, em Malta, onde governaram a ilha entre 1530 e 1798. Foram os responsáveis pela construção de Valletta e pelas impressionantes fortificações que ainda hoje dominam a paisagem maltesa. A Cruz de Malta, presente por toda a cidade, é justamente o símbolo da Ordem de São João. Valletta é, portanto, uma fortaleza renascentista transformada em capital. Uma cidade construída para resistir a cercos, mas que hoje encanta pela beleza de suas muralhas, seus palácios barrocos e sua relação permanente com o mar. Não por acaso, foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO e preserva praticamente intacta sua estrutura renascentista.
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