Viaje Mais 301

revistaviajemais www.revistaviajemais.com.br No 301 Ano 26 R$ 34,90 EDITORA EUROPA MAIS VIAJE URUGUAI • MONTEVIDÉU • COLÔNIA DO SACRAMENTO • PUNTA DEL ESTE • JOSÉ IGNACIO AS NOVAS SURPRESAS DE GRAMADO E CANELA YELLOWSTONE UM PARQUE DE OUTRO MUNDO NOS EUA UM HOTEL DE LUXO EM ILHABELA O HOTEL MAIS ICÔNICO DE PORTO DE GALINHAS GUIA PARA CURTIR SERRA NEGRA Destinos Montevidéu • Colônia do Sacramento • Punta Del Este • Canela • Gramado • Yellowstone • Ilhabela • Porto de Galinhas • Serra Negra UM ROTEIRO PERFEITO COM PRAIAS, PARRILLAS BONS VINHOS E CIDADES HISTÓRICAS

4 | VIAJEMAIS Divulgação VOCÊ TAMBÉM ENCONTRA AS EDIÇÕES DA REVISTA VIAJE MAIS NAS PLATAFORMAS DIGITAIS: Euroclube • Tim Banca • Claro Banca Oi Revistas • Clube de Revistas • Bancah Uol Banca • Zinio • Nuvem do Jornaleiro Revistarias • Mais Banca • Magzter • Ubook Bookplay• Amazon Prime • Pressreader PARRILLEROS DA REDAÇÃO Aida Lima, Roberto Araújo, Tales Azzi e Vera Grandisky Lerner. Colaborou nesta edição: Paulo Basso Jr. BODEGA EDITORA EUROPA Anderson Cleiton, Anderson Ribeiro, Angela Taddeo, Beth Macedo, Elisangela Xavier, Fabiana Lopes, Fabiano Veiga, Jeff Silva, Laura Aguirre, Laura Araújo, Lourival Batista, Luiz Siqueira, Maitê Marques, Marco Clivati, Mauricio Dias, Paula Hanne, Paula Orlandini, Renata Kurosaki, Tania Roriz e Valerio Romahn NOSSO E-MAIL revistaviajemais@europanet.com.br ANUNCIE publicidade@europanet.com.br A REVISTA VIAJE MAIS é uma publicação da EDITORA EUROPA Ltda. (ISSN 1519-3268). Uruguai ............................................. 10 Yellowstone National Park .......... 32 Gramado e Canela ............................58 DPNY Beach Hotel & Spa .............. 76 Serra Negra ...................................... 82 Hotel Solar Porto de Galinhas ..... 94 Montevidéu ESCAPADINHA INTERNACIONAL Pertinho do Brasil, com voos diretos de várias capitais brasileiras, sem fuso horário complicado e com distâncias curtas entre seus principais destinos, o Uruguai é o melhor país para uma“escapada internacional”. Até em um feriadão você pode conhecer Montevidéu, Colônia do Sacramento e Punta del Este já que, basta um par de horas de carro, para pular de um lugar para outro. E assim, sem perda de tempo com longos voos ou deslocamentos, você já pode passear por cidades históricas, praias, museus e cassinos. Além dessa praticidade, o Uruguai também conquista pelo paladar. Há algo de irresistível no modo como o país celebra a mesa. No Mercado del Puerto, em Montevidéu, você vai comer a melhor parrilla da vida. Em Colônia, vai provar queijos artesanais de uma tradição criada por imigrantes italianos. Nos arredores de Punta del Este, poderá degustar os bons vinhos da Bodega Garzón, a vinícola mais famosa do Uruguai e que foi eleita a quarta melhor do mundo em 2025 na lista The World’s 50 Best Vineyards. Só não esqueça de reservar um bom espaço na bagagem para trazer muitos alfajores e doce de leite para casa. Essas pequenas delícias vão prolongar a sua escapadinha internacional por muito mais tempo depois do desembarque de volta. Tales Azzi - Editor @revistaviajemais VIAJEMAIS revistaviajemais www.revistaviajemais.com.br |SUMÁRIO| EDIÇÃO 301 | JUNHO 2026 Divulgação Martina Birnbaum_shutterstock PARA ASSINAR E COMPRAR ÓTIMOS LIVROS, REVISTAS, COLEÇÕES E ENCICLOPÉDIAS Ligue para (11) 3038-5050 / (11) 95186-4134 www.europanet.com.br atendimento@europanet.com.br SEDE Rua Alvarenga, 1.416 São Paulo - SP CEP: 05509-003 IMPRESSÃO Coan Indústria Gráfica Ltda. EDITORA EUROPA Fundada por Aydano Roriz Publicando livros e revistas desde 1986 w Yellowstone Gramado e Canela By Drone Videos_Shutterstock DPNY Beach Hotel & Spa

6 | VIAJEMAIS Conheça o novo navio de luxo do Grupo MSC O Explora III estreia em agosto com alta gastronomia, boutiques de grifes e muitos roteiros na Europa, Ásia e Caribe |MUNDO DOS CRUZEIROS| O The Cellar, espaço para jantares harmonizados e degustações de vinho (acima); e o bar Shore Club on 11 at The Conservatory, com cardápio de drinks autorais (abaixo) rótulos vindos de regiões menos óbvias, como Líbano, Inglaterra, Hungria, Romênia, Japão e China. A proposta é conduzir os hóspedes por uma jornada enológica personalizada, com harmonizações que incluem caviar, lagosta, queijos finos, trufas artesanais de chocolate e carnes curadas cortadas à mesa. A bordo, o novo The Chef’s Table by Explora Journeys apresenta um jantar criado a partir das preferências de cada hóspede. Foi pensado para celebrações privadas e ocasiões especiais e será uma das experiências gastronômicas mais exclusivas e individualizadas em alto-mar. O Explora III também terá o Shore Club on 11 at The Conservatory, espaço à beira da piscina inspirado nos verões mediterrâneos, que vai oferecer pratos mediterrâneos preparados na hora, desde saladas e grelhados até crepes e gelatos artesanais. O programa de bebidas inclui coquetéis autorais e uma ampla seleção de criações sem álcool. No total, o Explora III vai contar com 11 espaços gastronômicos, 12 bares e lounges, além de spa e um mercado de luxo, com boutiques de grifes como Cartier, Piaget, Chopard e Rolex. O Explora III começa a operar a partir de agosto de 2026 e fará uma grande variedade de roteiros pelo Mediterrâneo, Norte da Europa, Islândia, Groenlândia, Canadá, Caribe, Alasca e Ásia. O primeiro cruzeiro está previsto para 3 de agosto com uma viagem entre Barcelona e Lisboa, passando por Palma de Mallorca, Puerto Banús/Marbella, Tânger, Cádiz e Portimão. Mais informações em www.explorajourneys.com Divulgação O Explora III será o terceiro navio da Explora Journeys, marca de cruzeiros de luxo do Grupo MSC AExplora Journeys, marca de viagens oceânicas de luxo do Grupo MSC, prepara a estreia do navio Explora III, que será inaugurado em agosto. Inspirada no conceito de hotel de luxo flutuante, a embarcação ampliou a gastronomia a bordo com menus e vinhos de alto padrão e novas experiências de bem-estar e compras de luxo. Um dos destaques do novo navio será o The Cellar by Explora Journeys, espaço intimista dedicado ao universo dos vinhos, com uma adega que oferece cerca de 350 rótulos selecionados. A carta reunirá nomes consagrados, como Pétrus, Château Le Pin, Harlan Estate e Screaming Eagle, além de

VIAJEMAIS | 7 O maior tobogã do MSC World Asia terá formato de espiral e vai despencar por 11 andares MSC revela novas atrações de lazer do MSC World Asia Novo navio da classe World terá tobogãs, um deles com 11 andares, arvorismo, tirolesas, sete piscinas e fará roteiros pelo Mediterrâneo a partir de dezembro de 2026 A MSC Cruzeiros divulgou detalhes sobre duas áreas de lazer do MSC World Asia, novo navio da classe World que será lançado em dezembro de 2026. Com capacidade para 6.758 hóspedes, e 2.582 cabines, a embarcação será uma das maiores da frota e dará continuidade aos designs grandiosos dos navios World Class da companhia. Entre as novidades está o The Harbour, parque de aventuras ao ar livre dedicado às famílias, que fez sucesso no MSC World America e agora será apresentado pela primeira vez em um navio na Europa. Inspirado em temas asiáticos, o espaço ficará na área Family Aventura e reunirá atrações bem radicais, como o Cliffhanger, balanço suspenso a 50 metros acima do mar, além de circuito de arvorismo, duas tirolesas e o The Harbour Aquapark, parque aquático com toboáguas que prometem uma boa dose de emoção. Um deles terá queda vertical de 90 graus. Outro foi projetado para descidas em boias, com pistas paralelas para competir com amigos. O espaço terá ainda o Tree of Life The Spiral, um tobogã em espiral que despenca por 11 andares. O navio também contará com o renovado AquaDeck, distrito de piscinas com programação de lazer ao longo do dia e festas noturnas. Ao todo, serão sete piscinas e treze áreas de hidromassagem, incluindo a nova piscina externa Manila Bay e a piscina interna Coral Cove, protegida por teto de vidro retrátil e decoração inspirada no universo marinho. A partir de 4 de dezembro de 2026, o MSC World Asia oferecerá itinerários de sete noites por alguns dos destinos mais desejados do Mediterrâneo, incluindo Barcelona, na Espanha; Marselha, na França; Messina, Civitavecchia, próxima a Roma, e Nápoles, na Itália; além de Valeta, em Malta. Mais informações em www.msccruzeiros.com.br Os toboáguas no The Harbour Aquapark A piscina interna Coral Cove, com teto de vidro retrátil

8 | VIAJEMAIS A mais de 1.200 metros de altitude, a Vinícola Essenza, em Santo Antônio do Pinhal (perto de Campos do Jordão), rende um dos passeios mais originais da Serra da Mantiqueira paulista. Aberta a visitação em 2022, a vinícola organiza tours onde os visitantes podem aprender sobre os vinhos e azeites produzidos em condições de montanha na fazenda. As visitas guiadas (que acontecem somente mediante agendamento pois as vagas são limitadas) passam pelas áreas de cultivo e produção. Os guias dão explicações até bastante detalhadas sobre poda, colheita, vinificação e extração do azeite. No final, as degustações harmonizam os vinhos e azeites com os pratos da casa, preparados com muitos insumos da própria fazenda, que também produz charcutaria artesanal e as trutas servidas no restaurante. Há ainda piqueniques nos vinhedos. O projeto da Vinícola Essenza é conduzido por Herbert Sales, o proprietário, que acompanha tanto o cultivo quanto os processos finais de toda a produção de azeitonas e uvas. Sales explica que a influência da altitude e da amplitude térmica da região favorecem compostos aromáticos nas uvas e azeitonas produzidas por lá. No azeite, estudos e variedades adaptadas ao frio brasileiro contribuem para a qualidade do fruto. Segundo Sales, a busca é por intensidade e equilíbrio, padrão refletido em premiações: o azeite Mantikir Summit Premium foi eleito o melhor do Brasil e alcançou o 11o lugar no ranking mundial Evooleum 2026. Para visitar: Espaço Essenza Vinícola Boutique Santo Antônio do Pinhal, SP @vinicolaessenza Vinícola Essenza: enoturismo perto de Campos do Jordão Em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, a vinícola boutique reúne vinhos, azeites premiados e charcutaria própria para oferecer uma visita cheia de sabor Fotos Divulgação Duciustrume in cum volles ipiciendi volupta eperovi descit qui apel inimus sit endae enderep udiciati con A Essenza também produz azeites de alta qualidade e oferece a degustação |GASTRONOMIA| Degustação com tábua de frios, queijos, castanhas e empanadas

VIAJEMAIS | 9

10 | VIAJEMAIS Alexis Noquet Uma deliciosa viagem por Montevidéu, Colônia do Sacramento e Punta del Este entre história, arte, praias, parrillas e bons vinhos URUGUAI Perto, fácil de explorar e com voos diretos do Brasil, o Uruguai é a viagem internacional mais perfeita para uma escapada rápida. Cabe até em um feriado prolongado. Em apenas quatro dias, dá para montar um roteiro redondo por Montevidéu, Colônia do Sacramento e Punta del Este, os três principais destinos do país e que ficam próximos um do outro, separados por não mais do que um par de horas de estrada. A viagem combina caminhadas à beira do Rio da Prata, centros históricos, parrillas, show de tango, beach clubs elegantes, lobos-marinhos, cassino, museu e vinícola. Tudo isso sem grandes deslocamentos ou fuso horário para atrapalhar. Duvida? Então siga meus passos que eu conto tudo o que fiz nos quatro dias que estive lá. E ainda me sobrou tempo para abastecer a bagagem com muito doce de leite, vinhos e alfajores. O Uruguai é pequeno mas rende uma grande viagem. POR TALES AZZI UM ROTEIRO EM 4 DIAS

VIAJEMAIS | 11 Anoitece no Casapueblo, a casa-escultura criada por Carlos Páez Vilaró em Punta Ballena

12 | VIAJEMAIS Tudo começa pela Plaza Independencia, no coração da Ciudad Vieja, diante da estátua do General Artigas, herói da Independência do Uruguai O Bus Turístico circula pelos principais bairros e monumentos da capital e dá um bom panorama de Montevidéu A primeira coisa que faço ao chegar em Montevidéu é embarcar no Bus Turístico, um ônibus de dois andares que circula pelos principais bairros e monumentos da cidade. Eu quero entender a capital uruguaia e ter um panorama geral antes de explorá-la nos detalhes. O sistema do passeio é no esquema hop-on/hop- -off, que permite descer, passear e embarcar de novo quantas vezes quiser ao longo do dia todo pagando um único bilhete (US$ 25 no caso). Logo nos primeiros minutos, Montevidéu começa a se explicar. Do andar superior do ônibus, vejo avenidas largas e arborizadas com muitas praças, ciclovias e muitos prédios históricos de | URUGUAI MONTEVIDÉU UM PASSEIO COM HISTÓRIA E PARRILLA arquitetura art dèco e neoclássicos. O trânsito flui bem e, apesar da atmosfera de metrópole – Montevidéu tem cerca de 1,3 milhão habitantes – não há o mesmo agito e a pressa que se veem nas grandes capitais brasileiras. O Bus Turístico percorre dois circuitos principais: um histórico-cultural, que passa por áreas centrais e bairros importantes, e outro voltado para a Rambla, a avenida costeira que acompanha o Rio da Prata. Entre as paradas estão Mercado del Puerto, Plaza Independencia, Teatro Solís, Palácio Legislativo, Mercado Agrícola, Parque Prado, Tres Cruces, Estádio Centenário e Parque Rodó. No Parque Rodó, é possível fazer Fotos Tales Azzi O Teatro Solís, de 1856, tem programação anual de teatro e ópera

VIAJEMAIS | 13 O Palácio Salvo, o edifício mais icônico de Montevidéu, na Plaza Independencia Tales Azzi

14 | VIAJEMAIS Palácio Legislativo, uma das paradas do roteiro panorâmico e a Calle Sarandí, principal via turúistica no centro histórico Café com mesas ao ar livre na Calle Perez Castellano, na Ciudad Vieja a conexão entre as rotas. A bordo, o áudio-guia em português ajuda a identificar os principais pontos do caminho. Depois do reconhecimento panorâmico no Bus Turístico, fiz uma parada na região central para explorar com mais calma a Ciudad Vieja, como é chamado o centro histórico de Montevidéu. Comecei pelo coração da cidade: a Plaza Independencia, onde se destaca a estátua equestre do general José Artigas, principal herói nacional uruguaio. Na Praça Independência ficam alguns dos símbolos mais conhecidos da cidade, como o edifício do Palácio Salvo e a Porta da Cidadela. Era de manhã e a praça reunia turistas fotografando, grupos guiados e moradores atravessando para o trabalho. A partir dali, entrei pela Calle Sarandí, uma das ruas mais conhecidas do centro histórico. Transformada em calçadão, ela é fechada para veículos e concentra lojas, bares, galerias e artistas de rua. É uma rua que sintetiza bem a cidade, tranquila e com linda arquitetura. A primeira parada importante foi o Teatro Solís. Inaugurado em 1856 com a ópera Ernani, de Giuseppe Verdi, o teatro é um dos edifícios mais representativos de Montevidéu. Sua fachada clássica chama atenção, mas mas também é possível fazer uma visita guiada pelo interior. O teatro passou por restauração há alguns anos e mantém uma programação cultural. | URUGUAI Eduardo Tores Ur… - Shutterstock Tales Azzi ad-foto - Shutterstuck

VIAJEMAIS | 15 Nenhuma visita à Montevidéu está completa sem provar a parrilla no Mercado del Puerto MERCADO DEL PUERTO Segui caminhando pela Calle Sarandí em direção ao porto. O caminho termina no Mercado del Puerto, uma das paradas obrigatórias de Montevidéu. O prédio, inaugurado em 1868, tem estrutura metálica que veio de Liverpool, na Inglaterra. Começou como mercado de frutas, verduras e carnes para abastecer os navios da baía, mas se transformou, com o tempo, no coração gastronômico de Montevidéu. Desde 1976, é Monumento Histórico Nacional. Hoje, o antigo mercado conta com uma dúzia de restaurantes especializados na parrilla, o churrasco uruguaio. O ambiente é esfumaçado. As grelhas ficam à vista. E o ritual mais clássico é sentar no balcão, diante da grelha, para acompanhar o preparo das carnes. Nos cardápios, aparecem cortes como assado de tira, entrecôte, bife de chorizo, morcilla, salsicha parrillera e chinchulín... O baby beef costuma ser uma das escolhas mais procuradas: um corte alto de filé, macio e generoso, servido geralmente com uma única guarnição. Pratos desse tipo custam cerca de 1.400 pesos uruguaios, algo em torno de R$ 170. Não é barato, mas não me lembro de ter provado carne melhor. Comer no Mercado del Puerto é parte essencial de uma viagem em Montevidéu. Restaurantes do Mercado del Puerto mantém seus asadores típicos à mostra dos clientes O Mercado del Puerto, endereço clássico para provar a parrilla uruguaia Tales Azzi DFLC Prints - Shutterstock

16 | VIAJEMAIS |URUGUAI ONDE COMER BAR PAYSANDÚ Instalado em um edifício histórico na Centro, o Bar Paysandú preserva a alma das antigas tabernas uruguaias. Aberto desde 1900, tem paredes de mármore, pisos desgastados pelo pelo tempo e um balcão antigo que guarda parte da memória boêmia de Montevidéu. O cardápio traz embutidos de produtores locais para petiscar e pratos clássicos como chivito (uma espécie de X-tudo uruguaio com carne de filé mignon), empanadas e milanesa. Aos sábados, ao meio-dia, o almoço tem show de tango. @paysandu_bar CITY WINERY MONTEVIDEO Ligado à Vinícola Pizzorno, o City Winery é uma opção para uma experiência de vinho sem sair de Montevidéu. Funciona em um casarão elegante com decoração de estilo industrial. No último piso, uma sala de projeção apresenta vídeos sobre os vinhos uruguaios com imagens projetadas nas paredes. No cardápio, pratos típicos e contemporâneos, como chivito, milanesa, risoto de mariscos e outras receitas que podem ser harmonizadas com os rótulos da casa. @citywinery_uy POLO BAMBA BAR Rooftop no 100 andar do Hotel Montevideo, em Punta Carretas funciona a partir das 18h com menu de tapas, coquetéis autorais e uma vista privilegiada para o skyline de Montevidéu. O clima é elegante, com luz baixa e boa música. @polo_bamba ALFAJORES DEL URUGUAY Ao lado do Mercado del Puerto, a cafeteria produz o melhor alfajor artesanal do país, fama conquistada em prêmios de competições internacionais, incluindo medalha no Campeonato Mundial do Alfajor de 2023. A casa tem opções clássicas de chocolate e doce de leite, além de sabores com frutas e licores. Custa R$ 10 a unidade. @alfajoresdeluruguay.cafe O Bar Paysandú preserva a atmosfera das antigas tabernas uruguaias e serve pratos típicos como a milanesa e o chivito O City Winery Montevideo combina gastronomia harminizada com vinhos uruguaios Risoto de mariscos no City Winery Montevideo Tales Azzi Tales Azzi Tales Azzi Tales Azzi Tales Azzi Alfajores del Uruguay

VIAJEMAIS | 17 RAMBLA O final de tarde eu reservei para me juntar aos moradores de Montevidéu em um passeio pela Rambla, a longa avenida costeira que acompanha o Rio da Prata e funciona como uma espécie de sala de estar ao ar livre da capital uruguaia. É ali que os uruguaios se reúnem para caminhar, correr, pedalar, pescar, passear com seus perros (cachorros) ou simplesmente para bater papo, quase sempre com um chimarrão nas mãos. São cerca de 22 km de orla, com calçadão, ciclovias, áreas verdes e praias urbanas. O trecho mais bonito fica entre os bairros de Pocitos e Buceo, que concentram o lado mais conhecido da vida noturna e gastronômica da cidade. A Rambla explica muito da qualidade de vida associada a Montevidéu. Não se trata apenas de uma avenida bonita à beira-rio, mas de um eixo de convivência pública, usado por pessoas de diferentes bairros e classes sociais. Para o visitante, a Rambla funciona como um respiro entre os passeios históricos, os restaurantes e a vida cultural da cidade. Vale percorrê-la, seja a bordo do Bus Turístico, bicicleta ou a pé. É uma experiência simples, mas essencial para entender Montevidéu. TANGO COM ALMA URUGUAIA O tango não pertence apenas à Argentina, ele também é a música típica do Uruguai. E o principal templo do tango uruguaio é o Baar Fun Fun, aberto desde 1895 na Calle Ciudadela, no centro histórico. Carlos Gardel passou por lá em 1933 e, segundo a história preservada pelo próprio bar, cantou um tango à capela encostado no velho balcão de estanho. O Fun Fun tem um ambiente retrô que mistura bar, museu afetivo e casa de show com programação musical com muito tango, claro. O lugar também ficou famoso pela criação da Uvita, uma bebida doce, à base de vinho, inventada no século 19 cuja fórmula é mantida em segredo até hoje pelos proprietários. Final de tarde na Rambla, o calçadão na margem do Rio da Prata é ponto de encontro dos moradores O Baar Fun Funa, casa de tango mais tradicional de Montevidéu fotos diviulgação DFLC Prints - Shutterstock

18 | VIAJEMAIS | URUGUAI COLÔNIA DE SACRAMENTO CHARME HISTÓRICO E ÓTIMOS QUEIJOS Aviagem de Montevidéu a Colônia do Sacramento não poderia ser mais tranquila. Pela pista duplicada com asfalto lisinho da Ruta 1, levei menos de duas horas de carro para colocar os pés na cidade histórica mais charmosa do Uruguai. Às margens do Rio da Prata, Colônia do Sacramento tem ruas de pedra, casarões do século 17 com paredes de adobe, cafés e praças silenciosas Fundada pelos portugueses em 1680, em uma posição estratégica no Rio da Prata, bem diante do território controlado pelos espanhóis, Colônia do Sacramento foi disputada à bala pelas coroas de Portugal e Espanha. Essa alternância deixou marcas na arquitetura e no desenho urbano. O bairro histórico foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1995. O melhor jeito de conhecer a cidade é caminhar sem pressa. O centro histórico é pequeno e concentrado em poucas ruas. A entrada simbólica é pelo Portón de Campo, antiga entrada da cidade amuralhada. Parte das muralhas ainda pode ser vista. A partir dali, não levo um minuto para chegar ã Calle de los Suspiros, a mais famosa da cidade. Estreita e ladeada por construções baixas, ela desce em direção ao Rio da Prata. Outro ponto essencial é a Plaza Mayor 25 de Mayo. Ao redor dela ficam museus, restaurantes e o Farol de Colônia, erguido junto às ruínas do Tales Azzi Farol de Colônia junto às ruínas do Convento de San Francisco Calle de los Suspiros, a rua mais famosa da cidade histórica

VIAJEMAIS | 19 Centro histórico de Colônia foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial Arquitetura colonial e ruas de pedra: é um grande barato admirar o charme histórico das ruas de Colônia O restaurante Las Liebres funciona em uma casa de campo de 1920 antigo Convento de San Francisco. O farol é aberto à visitação. A subida é por uma escada em espiral, com cerca de 100 degraus, e leva ao mirante no alto, de onde se vê quase todo o centro histórico. A Basílica do Santíssimo Sacramento, na Plaza de Armas, é considerada a igreja mais antiga do Uruguai. Sua origem remonta a 1680, ano de fundação de Colônia do Sacramento, quando ali havia uma construção simples de palha e barro erguida pelos portugueses. O templo atual, reconstruído várias vezes após guerras, incêndios e acidentes, ganhou sua forma mais próxima da atual entre 1808 e 1810, mantendo elementos da arquitetura portuguesa e espanhola Para uma pausa no meio do passeio, um endereço clássico é o El Drugstore, restaurante e bar conhecido pela decoração colorida. Tem mesas externas, clima descontraído e música ao vivo, funcionando o ano todo. É uma opção boa para sentar sem pressa, pedir uma bebida e observar o movimento da área histórica. ONDE COMER Las Liebres - Instalado em uma casa de campo de 1920, o Las Liebres tem mesas ao ar livre com vista para um vinhedo, em um cenário de campo elegante e fotogênico. A refeição pode começar com uma degustação de queijos locais, seguido de pratos como o esturjão grelhado com caviar ou o entrecôte de cordeiro assado com purê de batata-doce. A propriedade também funciona como hotel boutique, com poucas acomodações distribuídas entre suítes no casarão principal e chalés modernos, alguns com piscina privativa. @lasliebrescolonia Tales Azzi Tales Azzi Tales Azzi

20 | VIAJEMAIS Fora do centro histórico, a principal atração de Colônia é a Plaza de Toros Real de San Carlos. Declarada Monumento Histórico Nacional, a antiga arena de touradas foi inaugurada em 1910, mas funcionou por pouco tempo já que as touradas foram proibidas no país apenas dois anos depois da inauguração. Durante décadas, o edifício permaneceu fechado e chegou a sofrer risco de desabamento. Após um processo de restauração, a Plaza de Toros Roupa de toureiro em exposição no Museo de la Historia Taurina (acima); e o Interior da Plaza de Toros, hoje usado para shows e eventos (ao lado) | URUGUAI Fotos: Tales Azzi foi reinaugurada em dezembro de 2021 como centro cultural. A construção impressiona pelo formato circular de tijolos aparentes, estrutura metálica e detalhes de inspiração mourisca. Hoje, a Plaza de Toros tem capacidade para cerca de 2.500 pessoas nas arquibancadas e mais de 2.000 no ruedo, a área central da arena, onde foi erguido um palco para shows. Na parte interna da Arena há restaurante, cafeteria e, desde março, abriga o Museo de la Historia Taurina, que conta a história das touradas no mundo e da antiga relação entre homens e os touros. Colônia do Sacramento é pequena, fácil de ser conhecida e, por conta da proximidade, pode ser encaixada até em um passeio bate-volta desde Montevidéu. A Plaza de Toros Real de San Carlos passou mais de um século fechada até ser restaurada em 2021 para virar um centro cultural Plaza de Toros Real de San Carlos, de 1910, foi reaberta em 2021 e abriga café, museu e área de shows

VIAJEMAIS | 21 Tales Azzi A ROTA DO QUEIJO DE COLÔNIA Nos arredores de Colônia do Sacramento, a paisagem histórica de ruas de pedra dá lugar a outro tipo de patrimônio: o queijo artesanal. A chamada Rota do Queijo de Colônia reúne pequenas 15 propriedades fundadas por imigrantes italianos que chegaram à região no final do século 19 e iniciaram essa deliciosa tradição. Na margem da rodovia, a Ruta 1, há uma loja especializada, a Los Criollitos, que representa produtores da rota e funciona como vitrine dessa tradição. A casa reúne uma grande variedade de queijos artesanais — mais de 80 tipos —, incluindo criações bem particulares, como o Cafeziano, um parmesão maturado por dois anos que leva café entre os ingredientes. A queijaria mais antiga é a Granja La Cumbre, que produz queijo artesanal desde 1870. A propriedade mantém produção familiar e preserva técnicas transmitidas de geração em geração. O queijo mais emblemático é o queijo Colônia, de massa semimacia, sabor láctico levemente adocicado e com textura lisa. Além da loja e da produção, a Granja La Cumbre guarda um pequeno museu instalado na antiga fábrica, com objetos ligados às famílias que ajudaram a consolidar a cultura queijeira local. A visita guiada dura cerca de 45 minutos e termina com degustação de queijos e frios. No roteiro, aparecem tanto os clássicos quanto criações mais autorais, como queijos com sementes e ingredientes regionais. Visita na Granja La Cumbre passa pela sala de maturação dos queijos A loja Los Criollitos, na Ruta 1, vende mais de 80 tipos de queijos Henrique Célio, proprietário da queijaria Granja La Cumbre, segura o queijo colônia, o mais emblemático da região As propriedades da Rota do Queijo de Colônia oferecem visitas e degustações Fotos: Tales Azzi

22 | VIAJEMAIS | URUGUAI O destino badalado do Uruguai concentra a maior quantidade de mansões, Ferraris, iates e lojas de grife da América do Sul. É o reduto predileto da elite uruguaia e de turistas bem de vida em geral. Mas o charme de Punta de Este não está apenas nos hotéis de luxo, nos cassinos e nos beach club elegantes, está também na simplicidade do mar e na presença dos lobos-marinhos esperando peixe ao lado do mercado do porto. A cidade, a 140 km de Montevidéu, ocupa uma estreita península com duas praias principais. De um lado está a Playa Mansa, voltada para o Rio da Prata, com águas mais calmas, mar de poucos sustos. Do outro, a Playa Brava, banhada pelo Atlântico, com ondas mais fortes, vento mais presente e uma paisagem aberta, de praia oceânica. Basta cruzar algumas ruas para mudar de cenários. Fui conhecer primeiro à Praia Brava, onde fica a escultura La Mano, também conhecida como Los Dedos. A obra do artista chileno Mario Irarrázabal, instalada na areia em 1982, virou o símbolo mais famoso de Punta del Este. Cinco dedos enormes emergem da praia, como se um gigante estivesse enterrado nas areias para posar em nas fotos de férias. Há sempre turistas Tales Azzi PUNTA DEL ESTE O BALNEÁRIO CHIQUE DO URUGUAI Vista aérea da península de Punta del Este, com a marina, iates e prédios à beira-mar

VIAJEMAIS | 23 trail voloriatist, odit mos del inctemp orestiores in rest, que ao redor, gente esperando a vez, famílias inteiras se organizando para o clique, afinal, não dá para dizer que foi a Punta sem uma foto ao lado da escultura. A presença da escultura acaba concentrando boa parte do movimento. Ali, Punta parece mais popular, democrática e voltada para quem chega, fotografa e segue viagem. Tanto que, bem ao lado, há um grande estacionamento para os ônibus de excursão. Na Playa Mansa, o clima muda completamente. Como o nome sugere, o mar é mais calmo e Punta del Este mostra seu lado mais confortável e com melhor estrutura de praia. É o endereço dos famosos paradores, beach clubs com restaurantes e guarda-sóis alinhados, que, durante os meses de verão, promovem animadas sunset parties. Entre os paradores mais conhecidos está o OVO Beach, em frente ao Hotel Enjoy Punta del Este, na Parada 4. É um lugar para curtir a praia em grande estilo, tomar um drinque, ouvir música e ver a tarde cair. O Muelle 3 e o Posto A Playa Mansa tem mar calmo, paradores elegantes (beach clubs) e melhor estrutura de praia Studio Maya - Shutterstock ByDroneVideos - Shutterstock Sebastian Ciganda- Shutterstock La Mano, a escultura de Mario Irarrázabal, na Playa Brava

24 | VIAJEMAIS 5 também são excelentes pontos de apoio para aproveitar o dia na Playa Mansa e curtir o estilo de vida típico de Punta. Durante o dia, famílias caminham pela areia, turistas entram e saem dos paradores, barcos aparecem no horizonte e a praia mantém um ar de elegância. Foi próximo da área central, no entanto, ao caminhar pelo porto da cidade, que descobri uma pedaço autêntico de Punta, com barcos de pesca e o pequeno mercado de peixes. Vale a pena ir até lá para ver os lobos-marinhos que chegam bem perto dos pescadores em busca de sobras de peixe. É curioso ver como Punta passa das vitrines de luxo para um encontro com a vida selvagem em apenas poucos metros distância. Os animais são curiosos e acostumados ao movimento. Os pescadores até convidam os visitantes a alimentar os bichos, o que não é recomendado fazer por questões ecológicas. Para ver os lobos-marinhos em maior número, há passeios de barco até a Isla de Lobos, localizada a 8 km da costa. A ilha é uma reserva natural habitada por uma grande colônia de lobos-marinhos. Os barcos saem do porto de Punta del Este e levam os visitantes, em uma travessia de uma hora, para observar os animais no ambiente natural. Algumas excursões oferecem também a | URUGUAI Rum voluptatem fugit molo ipis sa nonsendernat ea qui quam, voloren Fotos: Tales Azzi No porto, Punta del este ainda mantém algum resquício da antiga vila de pescadores O mercado de peixe, no porto, onde os lobos-marinhos marcam presença para ganhar algumas sobras jogadas pelos pescadores O Ovo Beach Club, parador chique do Hotel Enjoy Punta del Este, na Playa Mansa

VIAJEMAIS | 25 A Casapueblo, em Punta Ballena, parece uma escultura branca sobre o penhasco possibilidade de entrar na água e nadar próximo aos lobos-marinhos, sempre dependendo das condições do mar e das regras ambientais. Outro passeio clássico leva a vizinha Punta Ballena, a cerca de 13 km do centro, onde está a Casapueblo, a construção criada pelo artista uruguaio Carlos Páez Vilaró parece uma escultura branca debruçada sobre o penhasco à beira mar. Suas paredes onduladas, terraços e túneis só poderiam mesmo sair da mente criativa de um artista, jamais da lógica de um engenheiro. Dizem que o poeta Vinícius de Moraes, que era amigo de Vilaró e passou temporadas hospedado por lá, compôs sua canção “A Casa” inspirada no lugar. Internamente, a Casapueblo é um labirinto. Caminhei por corredores estreitos, escadas, salões e terraços decorados com pinturas, desenhos e objetos ligados à obra de Páez Vilaró. Parte do edifício funciona como hotel, com suítes e piscinas. Outra parte é aberta à visitação, com museu, cafeteria e áreas externas voltadas para o mar. Ir à Casapueblo é melhor ao entardecer, quando um ritual toma conta do espaço. É a Cerimônia do Sol. Nos últimos minutos do dia, os visitantes se reúnem nos terraços até que o áudio com a voz do próprio Páez Vilaró começa a ecoar pelos alto-falantes em uma homenagem poética ao sol que se despede no horizonte. O sincronismo impressiona. A última palavra do poema termina no mesmo instante em que o sol desaparece. Em seguida, vêm as palmas. É emocionante. A Cerimônia do Sol reúne visitantes ao entardecer pelos terraços da Casapueblo Fotos: Tales Azzi

26 | VIAJEMAIS Instalado em frente à Playa Mansa, o Enjoy Punta del Este é o hotel mais conhecidos do Uruguai e responsável por boa parte do glamour que envolve o balneário. É o endereço de desfiles de moda, leilões de cavalo e shows de grandes artistas internacionais, a exemplo de Shakira, Ricky Martin e Julio Iglesias, que já se apresentaram por lá. O perfil é de resort urbano, com quartos voltados para o mar, restaurantes gourmet de alto nível, spa e piscinas. A praia está logo em frente, com o OVO Beach integrado à experiência na beira-mar. À noite, o Enjoy muda de ritmo com shows, festas e um cassino que virou sua principal identidade. O cassino é voltado ao público adulto e tem uma agenda de espetáculos e torneios com premiações milionárias ao longo do ano. O espaço ocupa 4 mil m² e reúne cerca de 550 máquinas caça-níqueis, 75 mesas de jogo e uma sala exclusiva de pôquer para membros de um clube VIP. Semanalmente, há torneios como o Enjoy Poker Tour e eventos especiais com categorias de alto valor em prêmios, na casa dos milhões de dólares. Para o público brasileiro, outro atrativo do Enjoy Punta del Este são os pacotes fechados O Enjoy Punta del Este combina resort urbano, restaurantes e cassino | URUGUAI Divulgação divulgação oferecidos em algumas datas específicas com aéreo e traslados inclusos. Na alta temporada, esses pacotes são montados com voos fretados, facilitando a logística de quem quer sair do Brasil com a viagem praticamente organizada. ENJOY PUNTA DEL ESTE O HOTEL-CASSINO SÍMBOLO DE PUNTA DEL ESTE O cassino do Enjoy Punta del Este tem uma agenda semanal de torneios Prato com camarão e frutos do mar do bistrô St.Tropez

28 | VIAJEMAIS | URUGUAI Fotos: Tales Azzi Depois das praias, dos paradores e do vaivém elegante em Punta del Este, os caminhos me levaram a 70 km adentro do interior do Uruguai, onde um mundo de vinhedos contorna a vinícola mais famosa do país, um projeto de escala monumental que custou US$ 250 milhões e transformou a pequena região de Garzón em um destino quase obrigatório nos arredores de Punta. A Bodega Garzón nasceu com ambição internacional, sob o comando do empresário argentino Alejandro Bulgheroni, e foi concebida para colocar o Uruguai no mapa mundial do vinho premium. A estrutura tem capacidade de produção na casa dos 2,2 milhões de litros e combina tecnologia de ponta com uma estética de resort rural de luxo. A chegada já impressiona. A construção mistura pedra, concreto, vidro, madeira e espelhos d’água em uma arquitetura minimalista e requintada. O prédio foi pensado para se integrar à paisagem, com muita luz natural, áreas abertas para os vinhedos e soluções sustentáveis que renderam à bodega certificação LEED. O complexo tem 19.050 m² de instalações sustentáveis e 240 hectares de vinhedos entre colinas de solo pedregoso e influência atlântica. A visita acontece em um almoço harmonizado no restaurante instalado em BODEGA GARZÓN A VINÍCOLA CHIQUE DE US$ 250 MILHÕES Degustação de vinhos durante a experiência de visita na vinícola A Bodega Garzón tem projeto de arquitetura integrado à paisagem

VIAJEMAIS | 29 Almoço harmonizado com quatro vinhos no restaurante da Bodega Garzón Os pratos são criações do chef argentino Francis Mallmann Tour pela vinícola passa pela área de seleção de uvas no processo de produção da Bodega Garzón Vinhedos da Bodega Garzón, 240 hectares de parreirais sob influência atlântica um salão envidraçado, suspenso sobre o mar de parreirais. Do lado de fora, um terraço de madeira com sofás funciona como mirante para as colinas verdes. A cozinha é chefiada pelo argentino Francis Mallmann, que aprecia menus sazonais e pratos inspirados na tradição rural uruguaia, preparados com ingredientes locais e técnicas de brasa. Entre as experiências de enoturismo há caminhadas pelos vinhedos, aulas de cozinha e tours pela propriedade. O programa premium, que custa quase mil dólares por pessoa, inclui tour de helicóptero, passeio em bike elétrica e almoço preparado pelo chef Mallmann. Daí se tem uma ideia do poder aquisitivo de certos visitantes, incluindo celebridades de todos os tipos. A vinícola mantém até um clube privativo para receber uma turminha de bilionários que exige privacidade. Segundo Christian Wylie, diretor da Bodega Garzón, 50% dos visitantes na vinícola são brasileiros e cerca de 20 mil deles passaram A Bodega Garzón ficou em 4o lugar na lista global da The World’s 50 Best Vineyards de 2025 por lá em 2025. Nesse mesmo ano, a Bodega Garzón apareceu em 4º lugar no ranking global The World’s 50 Best Vineyards, sendo a única vinícola uruguaia entre as 50 melhores daquele ano. Fotos: Tales Azzi

30 | VIAJEMAIS | URUGUAI Tales Azzi divulgação divulgação O vilarejo é pequeno, tem ruas irregulares, casas baixas e vento constante. Na praia, a vegetação costeira foi preservada e um farol de 1877 erguido sobre as pedras mantém certa atmosfera dos velhos tempos de povoado de pescadores. Mas não se engane pela escala diminuta nem pela aparência rústica: este é um dos endereços de praia mais sofisticados da América do Sul. A 30 km de distância de Punta, o vilarejo de José Ignacio virou um refúgio de celebridades e megaempresários que preferem o anonimato e a privacidade ao exibicionismo. A vila mantém certas regras arquitetônicas. Prédios não podem ser construídos por ali. A norma local limita a altura das casas e ajuda a preservar a sensação de praia preservada, onde as dunas e o mar continuam mais importantes do que o concreto das fachadas. JOSÉ IGNACIO O LUXO DISCRETO DO URUGUAI O Farol de 1877 é o ponto marcante da costa de José Ignacio, novo refúgio dos endinheirados uruguaios que curte sossego e privacidade Muito estilo e arquitetura belíssima no hotel boutique Playa Vik em José Ignacio

VIAJEMAIS | 31 Tales Azzi Durante anos, a Galería Los Caracoles foi um dos endereços mais queridos da vila, dedicada a arte contemporânea uruguaia, pinturas e objetos coloridos. Fechou em abril de 2026, depois de 22 anos de história, mas deixou como legado essa vocação artística de José Ignacio. A cena continua viva em espaços como a Galería de las Misiones, dedicada à arte latino-americana, e em eventos como o José Ignacio International Film Festival, que realiza sessões ao ar livre, com filmes projetados ao entardecer, sob o céu aberto da costa uruguaia. O grupo hoteleiro Vik ajudou a consolidar a imagem contemporânea de José Ignacio com dois endereços de luxo que seguem entre os mais exclusivos da região. O Playa Vik tem um edifício com fachada inclinada de vidro à beira-mar e uma coleção de arte contemporânea integrada aos ambientes. Já o Bahia Vik está ao lado de dunas de frente para a Playa Mansa com suítes e bangalôs sobre a areia e voltados para o poente. Já na gastronomia, o Parador La Huella se tornou uma instituição local. Instalado na areia da Playa Brava, o restaurante mistura clima de cabana de praia e casa de parrilla. A construção é bem informal e, do lado de dentro, o assador libera o irresistível aroma Grand Prismatic trail voloriatist, odit mos del inctemp orestiores in rest, que consequam et volupta tionsed quatiis Fotos: Tales Azzi O Parque de esculturas do MACA (no alto) e o artista Pablo Atchugarry em ação, finalizando mais uma obra em mármore O MUSEU DE PABLO ATCHUGARRY No caminho entre Punta del Este e José Ignacio, fiz uma pausa estratégica para ir ao Museo de Arte Contemporáneo Atchugarry, o MACA. Inaugurado em 2022, o museu guarda as obras de Pablo Atchugarry, artista plástico e escultor que ficou conhecido por suas obras em mármore de Carrara, algumas delas imensas. É o caso da escultura El abrazo cósmico, com 8 metros de altura e 60 toneladas, que levou oito anos para ser finalizada e é considerada a maior obra já realizada pelo artista. A exposição de Atchugarry está dividida entre um edifício de estrutura curvilínea, que lembra o esqueleto de um barco futurista, e um parque com esculturas ao ar livre. A coleção permanente inclui outros nomes de artistas latino-americanos, como Joaquín Torres García, Julio Le Parc, Carlos Cruz-Diez e Ernesto Neto. O passeio combina arte e paisagem, ideal para encaixar no dia de visita a José Ignacio. das carnes, peixes, camarões e vegetais preparados na grelha. À noite, com spots de luz quente e velas sobre as mesas, a atmosfera é de puro romantismo. Muita gente, como eu, sai de Punta apenas para ir jantar lá, o que vale a pena pois o La Huella é realmente um restaurante muito especial, uma maneira perfeita de fechar uma viagem bem especial pelo Uruguai. Jantar à luz de velas com os pés na areia no La Huella, o restaurante de praia elegante em José Ignacio Steak com fritas no La Huella para fechar a viagem

32 | VIAJEMAIS martina birnbaum - Shutterstock “Casa do Zé Colmeia” e dono de paisagens surreais, o parque nacional mais antigo do planeta fica no oeste dos EUA, mas parece cenário de outro mundo YELLOWSTONE POR PAULO BASSO JR. TEXTO E FOTOS Grand Prismatic Spring, uma das paisagens termais mais coloridas do parque

VIAJEMAIS | 33 Lindo. Espetacular. Fascinante. Todo superlativo parece pouco para definir o Yellowstone National Park (Parque Nacional de Yellowstone), no oeste americano. Durante meu roteiro pela região, cansei de repetir o quanto estava embasbacado com tamanha beleza. Sério: como jornalista de viagens há mais de 20 anos, já tive a oportunidade de passar por mais de 50 países e visitei muitos lugares incríveis no próprio EUA, como Alasca, Havaí e o californiano Yosemite, mas poucos destinos me surpreenderam tanto quanto a “casa do Zé Colmeia”. O que mais me encantou por lá foi a variedade de atrações. Em diversos lugares do mundo há áreas naturais protegidas em que você encontra cachoeiras belíssimas, como as próprias Cataratas do Iguaçu. Em outros. destacam-se lagos, cânions, montanhas, florestas ou a presença de animais selvagens. O que torna Yellowstone diferente é que ele tem tudo isso e muito mais, com o plus de abrigar piscinas termais coloridas raramente encontradas em outras paragens e mais da metade dos gêiseres ativos do planeta. Em um roteiro de três dias em Yellowstone, por exemplo, você tem a oportunidade de visitar atrações como a Grand Prismatic Spring, piscina termal com cores alucinantes, o gêiser Old Faithful, com erupções rotineiras e jatos d’água que atingem 45 metros de altura, o Yellowstone Grand Canyon, dono de paredões amarelados por onde despencam cachoeiras, e o Yellowstone Lake, marcado por paisagens que ostentam águas cristalinas cercadas de picos cobertos de neve. Ufa, quer mais? Pois tem. Não é à toa que Yellowstone inspirou o nome do parque do Zé Colmeia – o famoso Jellystone do desenho animado. Afinal, o que não faltam por lá são animais selvagens, como bisões, veados, cervos, alces, cabras, raposas, lobos e, como não poderia deixar de ser, ursos (tanto pardos, chamado por lá de grizzlies, como pretos, os black bears).

34 | VIAJEMAIS Piscinas termais e vapores revelam a força geotérmica do supervulcão Yellowstone está situado sobre a caldeira de um supervulcão, cuja última erupção ocorreu há cerca de 640 mil anos. Hoje, o local é tomado por vales e montanhas verdejantes no verão e branquinhas de neve na maior parte do ano, além de lagos, cachoeiras, gêiseres e piscinas termais com cores vibrantes provocadas pela presença de microrganismos pigmentados. A biodiversidade ali impressiona a todo instante. Ao rodar poucos quilômetros, você parece viajar de um mundo para outro, passando por | YELLOWSTONE CALDEIRA DE VULCÃO bosques de pinheiros, planícies abertas e áreas relativamente secas. Sempre observado, por todos os lados, pela intensa fauna local. Eu vi um urso grizzle, por exemplo, assim que passei pela entrada West, todo pirilampo, ao lado da estrada. E é bom estar preparado, pois é mais ou menos assim que as coisas funcionam por lá. Quando você vê gente em carros estacionados e com câmeras na mão, já saque câmeras e binóculos (item fundamental), pois a chance de ter um animal por perto é grande.

VIAJEMAIS | 35 Por conta de todas essas características geográficas, Yellowstone se transformou no primeiro parque nacional do mundo. Ele foi criado em 1º de março de 1872 pelo então presidente dos EUA Ulysses S. Grant. Sua fundação marcou o início de um movimento global de preservação de áreas naturais que deu vida a todos os outros parques nacionais do planeta. Até 1917, o local era gerido pelo exército dos EUA. Desde então, o Serviço Nacional de Parques ficou responsável pela administração. Hoje, quem vai até lá encontra muitos rangers, que dão orientações precisas e, em geral, recebem os visitantes com bastante simpatia. Paulo Basso Jr. Ulysses S. Grant criou Yellowstone em 1872, o primeiro parque nacional do mundo

36 | VIAJEMAIS TRÊS ESTADOS, MUITOS PLANOS Longe do eixo turístico americano que envolve Nova York, Flórida ou Califórnia, o Yellowstone se estende pelos estados de Wyoming, Montana e Idaho. A maior parte das atrações acessíveis ao público se concentra em Wyoming, em uma área delimitada pela estrada Grand Loop Rd, que forma uma espécie de número “8” no mapa. Assim, tudo que você precisa fazer ao visitar a região é trafegar por ela de carro ou motorhome, em qualquer sentido, para chegar aos principais pontos turísticos. O melhor de tudo é que os highlights ficam próximos, com no máximo meia hora de distância entre eles. É prático pular de um para outro e, a não ser que você queira se embrenhar em locais mais ermos (neste caso, nem sonhe em ir até lá sem um spray de urso), não é preciso encarar longas trilhas. A maior parte dos atrativos fica ao lado da estrada e é acessível para pessoas de todas as idades. Com isso em mente, vale saber que Yellowstone conta com cinco entradas. A área norte do “8”, chamada de Upper Loop, abriga duas delas, a norte e a noroeste. No círculo inferior, o Lower Loop, estão as outras três: leste, sul e oeste. As entradas mais populares e usadas pelos brasileiros são a sul (vindo de Jackson Hole, a norte (para quem chega ou se estabelece em Bozeman ou Gardiner) e a Oeste (onde está West Yellowstone). Todas essas cidades contam com aeroportos, onde é possível chegar a partir de voos com conexão saindo do Brasil. Vale dizer ainda que os melhores períodos para visitar o Yellowstone National Park são as primeiras quinzenas de junho e setembro, quando a temperatura costuma ser agradável, as principais estradas estão abertas, os preços não ficam tão proibitivos e, acima de tudo, não é época de férias escolares, o que significa menos gente nos pontos turísticos. Eu fui no meio de junho e adorei. Estava começando a encher de gente, mas o clima permaneceu ameno, com bastante sol e média de 17ºC. As paisagens, por sua vez, saltavam aos olhos com a presença de neve no pico das montanhas em meio ao céu azul e os vales verdejantes. freepik.com Grand Bohemian Lodge Greenvile inctem velitae pturiberae veruptas arum aut laccullam, ut a vellaborepti dolenis exerferum eicatent, soluptatio Shutterstock Mapa da Grand Loop Road, estrada em forma de “8” que conecta as atrações de Yellowstone |YELLOWSTONE Paulo Basso Jr.

VIAJEMAIS | 37 freepik.com O Hotel Old Faithful Inn é uma das bases clássicas para visitar a região dos gêiseres O parque nacional oferece diversas hospedagens, dentro e fora da reserva, que facilitam os roteiros de carro Outra dica importante é escolher bem onde se hospedar. Isso porque você pode estabelecer uma única base, o que te obrigará a ir e voltar todos os dias para o mesmo local, perdendo assim um tempo precioso, ou ficar em dois ou mais hotéis ao longo do trajeto, o que dá um trabalhinho a mais na hora de se planejar, mas faz mais sentido. Eu optei por essa segunda estratégia e achei perfeito. Existem opções de hospedagem dentro e fora do parque, sendo que as primeiras são mais caras e recomenda-se reservá-las com antecedência de até um ano. Paulo Basso Jr. Paulo Basso Jr. Estradas cênicas cortam cânions, montanhas e florestas do parque

38 | VIAJEMAIS | YELLOWSTONE ATRAÇÕES DE YELLOWSTONE Três dias é o mínimo que indico para montar um bom roteiro em Yellowstone. Se puder ficar mais, melhor. Menos, acho corrido. Até rola, mas não dá para curtir o parque em sua plenitude. Neste período, você consegue visitar as principais atrações do parque. OLD FAITHFUL Um dos locais mais populares de Yellowstone, embora não o meu preferido, o Old Faithful é um dos gêiseres mais famosos e previsíveis do mundo, com erupções a cada 90 minutos, mais ou menos. O grande barato é que elas chegam a alcançar até 56 metros e duram entre dois e cinco minutos. O nome Old Faithful (Velho Fiel) vem, justamente, de sua regularidade nas erupções. Nos arredores dele, começa a trilha que serpenteiam o Upper Geyser Basin, onde fica outro ponto turístico imperdível: a Morning Glory Pool. No site oficial de Yellowstone (www.nps.gov), dá para verificar a previsão diária de erupções. Vale a pena consultar logo pela manhã, ainda no hotel, para programar melhor a visita. Como a internet não funciona bem no parque, outra opção é checar os horários na recepção do hotel Old Faithful Inn, que serve de base para quem visita o gêiser. Paulo Basso Jr. Old Faithful é o gêiser mais famoso de Yellowstone e tem erupções regulares ao longo do dia Restaurante do Hotel Old Faithful Inn Wasin Pummarin - Magnific Paulo Basso Jr. Jatos d’água do Old Faithful podem atingir mais de 50 metros de altura

RkJQdWJsaXNoZXIy Mzk0Njg=